terça-feira, 29 de junho de 2010

Métodos Anticoncepcionais na Adolescência


Métodos Comportamentais

Consiste em evitar o coito na época fértil do ciclo. É de conhecimento geral a significativa variação que as mulheres nesta faixa etária têm em seus ciclos menstruais, tornando difícil prever, como exatidão, o período fértil. Não se justifica, portanto, como a disponibilidades anticonceptivas atuais, orientar-se uma adolescente para usar o método rítmico. Isto também se aplica aos métodos relacionados às transformações sofridas pelo muco cervical, bem como às variações da curva térmica-basal e o sintotérmico.


Coito Interrompido

Consiste na deposição do sêmen fora da cavidade vaginal. Tem a desvantagem de exigir do casal um auto-controle suficiente, não muito comum, principalmente, entre adolescentes. O método é ineficaz, pela sua pouca aplicabilidade prática, não devendo a adolescente ser orientada para este tipo de Anticoncepção.


Métodos de Barreira

Preservativos ou Condon. Impede a deposição de sêmen na vagina. A orientação pelo profissional é muito importante para o êxito do método. As suas vantagens como método anticoncepcional são inúmeras: proporcionam proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis em ambos os sexos, têm um baixo custo, são facilmente a adquiridos, não necessitam de receituário médico, são isentos de complicações e, quando bem usados, têm boa eficácia. Entre as suas desvantagens, pode-se mencionar a redução da sensibilidade em grande número de usuários, além da interferência direta com o ato sexual. É um dos métodos de escolha para as adolescentes, principalmente, nas que não têm contatos sexuais freqüentes.

Aconselha-se o seu uso, independente do método a ser utilizado, com finalidade preventiva das DST e AIDS.


Diafragma Vaginal

O diafragma vaginal se constitui em uma barreira mecânica entre a vagina e o canal cervical. Para sua aplicação, faz-se necessário, inicialmente, a presença do médico ou pessoa treinada, para escolha do diafragma apropriado e seu uso deve estar sempre associado a espermaticidas.


As suas desvantagens estão em exigir uma grande participação e colaboração por parte da usuária, requisitos não freqüentes entre as adolescentes, além de interferir intimamente com o ato sexual e requerer um mínimo de cultura por parte da usuária. Em casos selecionados, poderá ter indicação, porém não aconselha-se como método de escolha para as adolescentes.


Espermaticidas

Consiste em impedir a entrada dos espermatozóides no canal cervical além do efeito letal sobre estes gamelas. Como desvantagens, além de interferir no contato sexual, quando utilizado isoladamente, é pouco eficaz. Não se deve encorajar as adolescentes para este método anticoncepcional.


DIU

Só deve ser indicado para as adolescente com gestação anterior ou com um único parceiro, quando o risco para doenças 0 sexualmente transmissíveis, for mínimo. Os efeitos colaterais (cólicas, hipermenorragias) e as complicações (infecção, expulsão, reação vagal) diminuem com a paridade e a idade. Por estes motivos a adolescente, em geral nulípara, tem maior risco de rejeitar o método.


Métodos Hormonais

Oral Combinado
A adolescência é um período de transição da mulher, no qual uma gravidez não planejada, representa um problema que pode implicar alguma gravidade. Daí, a importância de uma anticoncepção eficaz. A pílula combinada tem um relevante papel nesta faixa etária, por ser o método mais utilizado. Mesmo as adolescentes com ciclo menstrual irregular podem fazer uso desse tipo de anticoncepção. É consensual o fato de que o seu uso, nas doses habituais, não interfere com o processo fisiológico da soldadura das epífises ósseas.


Minipílula
Por promover, com maior freqüência, alterações menstruais e apresentar uma menor eficácia, só deve ser utilizada quando houver contra-indicação para a pílula que contém estrogênio/progestogênio.


Pílula Pós-coital
Em qualquer período o método não deve ser estimulado, porém, em situação emergenciais deve ser indicado até 72 horas após um possível coito fecundante.


Injetável Combinado Mensal
Os anticonceptivos injetáveis combinados mensais continuam sendo estudado objetivando diminuir as doses atuais dos esteróides. Indica-se este método para as adolescentes

Injetável Trimestral (Ac. De Medroxiprogesterona)
Este método não deve ser indicado nesta faixa etária, principalmente, por sua baixa reversibilidade.


Método Cirúrgico = Ligadura Tubária
Só deve ser indicada para adolescentes em condições muito especiais, de razão médica, com o devido suporte legal.


Conclusões
A vida sexual da adolescente é um fator irreversível.


· Não existe um método ideal para qualquer grupo específico.

· Os métodos Comportamentais têm uso limitado na adolescência.

· O preservativo tem especial prevalência de uso neste grupo; o diafragma é pouco utilizado; e os espermaticidas têm sua indicação restrita.

· Os dispositivos intra-uterinos têm seu uso limitado nesta faixa etária.

· A anticoncepção hormonal constitui a melhor opção para a grande maioria dos adolescentes.

· Independentemente do método a ser utilizado, aconselha-se o uso do preservativo com finalidade preventiva das DST e AIDS


http://gramadosite.com.br/cultura/saude/almeida/id:1369

Anticoncepcional ou contracepção



Qual é o melhor método anticoncepcional ou de contracepção?

Todas as mulheres e homens devem ter controle sobre quando desejam ter filhos. Não é fácil escolher entre os métodos anticoncepcionais, ou contraceptivos, já que há muitas coisas a considerar. Aprender sobre os métodos anticoncepcionais que você ou seu parceiro podem usar, e conversar com um profissional da saúde, são duas boas formas de começar.

Não há "o melhor" método anticoncepcional. Cada contraceptivo tem suas vantagens e desvantagens. Alguns métodos funcionam melhor do que outros para prevenir a gravidez. Pesquisadores estão sempre trabalhando no desenvolvimento e aprimoramento dos métodos anticoncepcionais.



http://www.copacabanarunners.net/anticoncepcionais.html

Métodos contraceptivos

A prevenção da gestação não planejada é fundamental, principalmente para adolescentes e adultos jovens sexualmente ativos, que devem ser orientados precocemente, uma vez que a idade para início das relações sexuais está diminuindo cada vez mais, enquanto estão aumentando o número de adolescentes grávidas.

Os métodos contraceptivos podem ser divididos didacticamente em: comporta mentais, de barreira, dispositivo intra-uterino (DIU), métodos hormonais e cirúrgicos.

A escolha do método contraceptivo deve ser sempre personalizada levando-se em conta fatores como idade, números de filhos, compreensão e tolerância ao método, desejo de procriação futura e a presença de doenças crônicas que possam agravar-se com o uso de determinado método. Como todos os métodos têm suas limitações, é importante que saibamos quais são elas, para que eventualmente possamos optar por um dos métodos. Todavia, na
orientação sobre os métodos anticoncepcionais deve ser destacada a necessidade da dupla proteção (contracepção e prevenção as DST e HIV/AIDS), mostrando a importância dos métodos de barreira, como os preservativos masculinos ou femininos.

A) Métodos comportamentais:

Método Rítmico ou Ogino-Knaus (do calendário ou tabelinha): procura calcular o início e o fim do período fértil (já explicado anteriormente no (ciclo menstrual) e somente é adequado para mulheres com ciclo menstrual regular. A mulher deve ser orientada, inicialmente, a marcar no calendário os últimos 6 a 12 ciclos menstruais com data do primeiro dia e duração, calculando então o seu período fértil e abstendo-se de relações sexuais com contato genital neste período. É pouco eficaz se não for combinado com outros métodos, como preservativos ou espermicidas, pois depende da abstenção voluntária nos períodos férteis da mulher, onde a libido (desejo sexual) se encontra em alta.


Temperatura basal: método oriundo na observação das alterações fisiológicas da temperatura corporal ao longo do ciclo menstrual. Após a ovulação, a temperatura basal aumenta entre 0,3 e 0,8o C (ação da progesterona). A paciente deve medir a temperatura oral, durante 5 minutos, pela manhã (após repouso de no mínimo 5 horas) antes de comer ou fazer qualquer esforço, e anotar os resultados durante dois ou mais ciclos menstruais. Esse procedimento deve ser realizado desde o primeiro dia da menstruação até o dia em que a temperatura se elevar por 3 dias consecutivos.

Depois de estabelecer qual é a sua variação normal, e o padrão de aumento, poderá usar a informação, evitando relações sexuais no período fértil.

Uma grande desvantagem do método da temperatura é que se a mulher tiver alguma doença, como um simples resfriado ou virose, todo o esquema se altera, tornando impossível retomar a linha basal, ou saber se o aumento de temperatura é devido à ovulação ou a febre.

Método do Muco Cervical (Billing): baseia-se na identificação do período fértil pelas modificações cíclicas do muco cervical, observado no auto-exame e pela sensação por ele provocada na vagina e vulva. A observação da ausência ou presença do fluxo mucoso deve ser diária. O muco cervical aparece cerca de 2 a 3 dias depois da menstruação, e inicialmente é pouco consistente e espesso. Logo antes da ovulação, ele atinge o chamado "ápice", em que fica bem grudento.


Testa-se colocando o muco entre o indicador e o polegar e tentando-se separar os dedos. É necessária a interrupção da atividade sexual nesta fase, permanecendo em abstinência por no mínimo 4 dias a partir do pico de produção, período em que se inicia o período infértil novamente.

Esse método também exige observação sistemática e responsabilidade por parte da mulher durante vários meses, até conhecer bem o seu ciclo e o muco. No entanto, qualquer alteração provocada por doença, ou quando a mulher tem pouco ou muito muco, o método se torna pouco confiável.

Coito interrompido: baseia-se na capacidade do homem em pressentir a iminência da ejaculação e neste momento retirar o pênis da vagina. Tem baixa efetividade, levando à disfunção sexual do casal, e deve ser desencorajado.


Estes métodos impedem a ascensão dos espermatozóides ao útero, sendo fundamentais na prevenção das DST e AIDS. Junto com a pílula anticoncepcional e o coito interrompido, são os métodos não definitivos mais utilizados.

Condom ou camisinha ou preservativo: quase todas as pessoas podem usar; protege contra doenças sexualmente transmissíveis, inclusive AIDS; previne doenças do colo uterino; não faz mal a saúde; é de fácil acesso.


O condom masculino é um envoltório de látex que recobre o pênis, retendo o esperma no ato sexual, impedido o contato deste e de outros microrganismos com a vagina e o pênis ou vice-versa.

Uso da masculina: desenrolar a camisinha no pênis erecto, antes de qualquer contado com a vagina, ânus ou boca. Deve ser retirada do pênis imediatamente após a ejaculação, segurando as bordas da camisinha para impedir que os espermatozóides escapem para a vagina.



http://www.afh.bio.br/reprod/reprod8.asp

quarta-feira, 23 de junho de 2010



“Ser pai é...”
No entanto, independentemente da situação em que ela ocorra, o homem, ou nesse caso, garoto, é conclamado a se responsabilizar pelo filho/a. Para isso, após essa dinâmica, a professora solicitou que cada um escrevesse em uma folha de papel uma frase que definisse o que é ser pai. As frases, posteriormente utilizadas num mural afixado na parede da escola, foram as seguintes: Respostas de meninos: Ter responsabilidade e assumir todos os seus atos. Ser pai para mim é tudo de bom nesta vida porque pai é uma coisa muito interessante não só para mães, mas para todo mundo. Como diz o ditado, pai não é aquele que cria, mas aquele que faz. Pai para mim não me diz nada, eu não tenho pai pra sentir esse gosto. Eu acho que é só isso. Ser pai é um sentimento muito bom. Mas na maioria dos casos atrapalha a própria vida.





http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0114341_05_cap_07.pdf

Prevenção da Gravidez na adolescência !!!!

Segundo o Ministério da Saúde o número de partos no Brasil vem decrescendo nos últimos 5 anos. Entretanto, estes mesmos dados apontam que esta diminuição é por conta de mulheres acima de 20 anos de idade. A partir do dado citado acima compreendemos que a gravidez na adolescência é um fato que vem acontecendo numa crescente, devendo por isto, ser visto com mais atenção pela área de saúde. Entendemos ainda que este fato deva ser discutido junto aos adolescentes abordando principalmente, as ações preventivas. Neste sentido surgiu o interesse deste Oficial em abordar os aspectos preventivos da gravidez junto à clientela de adolescentes. Maj BM Méd Adriano Sampaio Zaquine, ginecologista e obstétra da 3ª Policlínica - Niterói.

PREVENÇÃO DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

A partir da compreensão de uma gravidez planejada, e o entendimento das implicações que a mesma pode acarretar para a vida da adolescente, que poderá escolher o momento certo para dar vida a um novo ser.

Objetivo

- Conhecer os fatores que podem levar a adolescente a engravidar;

- Identificar as implicações relacionadas à gravidez na adolescência;

- Avaliar junto aos adolescentes o conhecimento quanto aos métodos contraceptivos como forma de evitar a gravidez;

- Orientar quanto ao uso adequado e adesão dos métodos contraceptivos.

Adolescência

Atualmente, a adolescência se caracteriza como uma fase que ocorre entre a infância e a idade adulta, na qual há muitas transformações tanto físicas como psicológicas, possibilitando o surgimento de comportamentos irreverentes e desafiantes, o questionamento dos modelos e padrões infantis, que são necessários ao próprio crescimento.

adolescente.jpg

A adolescência é um período da vida que merece atenção, pois esta transição entre a infância e a idade adulta pode resultar, ou não, em problemas futuros para o desenvolvimento de um determinado indivíduo.

No entanto, para entender como a adolescência pode favorecer o aparecimento de problemas, dentre eles a gravidez precoce, é necessária uma breve revisão sobre este período.

gravides.jpg

De acordo com a OMS “a adolescência compreende um período entre os 11 e 19 anos de idade, desencadeado por mudanças corporais e fisiológicas”.

Wong (1999), descreve a adolescência como “o período de transição entre a infância e a vida adulta – um período de rápida maturação física, cognitiva, social e emocional”.

Porém, Ferreira apud Gomes et al (2003), define adolescência “como o período da vida humana que sucede a infância, começa com a puberdade e se caracteriza por uma série de mudanças corporais e psicológicas”.

Para Rosa apud Gomes et al (2003), “(...) o fim da adolescência são os ajustamentos normais do indivíduo aos padrões de expectativa da sociedade, com relação às populações adultas”.

Sexualidade na Adolescência

A adolescência é fase da vida em que o indivíduo é criança em seus jogos, brincadeiras, e é adulto com seu corpo, com seus novos sentimentos e suas expectativas de futuro. E é nesse turbilhão de emoções que normalmente os adolescentes começam a entrar em contato com sua sexualidade.

gravides3.jpg

A maior contribuição das mudanças biológicas do ponto de vista cultural, é a “transformação do estado não reprodutivo ao reprodutivo”, pois o amadurecimento do sistema reprodutivo impõe os limites para cada sexo. Neste contexto, surge a sexualidade na adolescência, sendo esta temática de relevância mundial, pois tanto dificuldades como desafios que aparecem aos adolescentes ocorrem independentemente da diversidade cultural, étnica e social.

Acompanhando as alterações hormonais, o comportamento sexual do adolescente é um produto de fatores culturais no ambiente, que cada vez mais tornam eróticas as relações sociais.


http://www.3apoliclinica.cbmerj.rj.gov.br/modules.php?name=News&file=print&sid=278

Sintomas da Gravidez

As transformações hormonais do início da gravidez podem explicar, em parte, a presença de sintomas neste período.

Visto que toda gestante passa por elas e nem todas manifestam os mesmos sintomas e que estes apresentam variações quanto à ocorrência, severidade e persistência, os sintomas caracterizam-se por serem uma forma de expressão do inconsciente.

Sendo assim, estão em relação direta com a história pessoal da mulher, história do casal, momento que estão vivenciando, bem como o tipo de personalidade da gestante.

Por ser a gravidez um período emocionalmente riquíssimo e fecundo e que propicia a regressão a uma infância mais precoce, os conflitos infantis, conscientes e inconscientes mal elaborados, reatualizam-se.

Assim, a formação dos sintomas seriam uma forma do corpo expressar uma palavra "em sofrimento". O significado de cada um torna-se, então, específico a cada gestante e assim deve ser compreendido e interpretado.

Muitas mulheres percebem-se grávidas antes mesmo da confirmação de qualquer exame clínico e ou laboratorial, outras muito mais tarde. Nestes casos, poder-se-ia pensar que está em jogo um auto-conhecimento profundo, uma sintonia com o próprio corpo, quando qualquer alteração é perfeitamente percebida pela mulher, ou então, uma negação da futura maternidade, como se com isto pudesse evitar a gravidez ou suas preocupações frente a ela.

Um dos primeiros sintomas a surgir é a hiperinsônia, uma sonolência tão intensa durante o dia, que as horas costumeiramente dormidas já não se fazem suficientes. A mulher passa a ficar mais introvertida, afasta-se dos demais, como se precisasse evitar os estímulos internos e externos através do repouso, numa preparação para o trabalho que se inicia. Durante a noite, entretanto, pode surgir a insônia, que deve ser compreendida como uma ansiedade frente à gravidez, já que o atraso menstrual começa a suscitar dúvidas.

Com o estado regressivo, a mulher revive inconscientemente seu próprio nascimento e, identificando-se com o bebê, passa a funcionar como se fosse ele, dormindo durante o dia para acordar durante à noite.

Isto porque à noite, com o corpo reagindo contra as queimações estomacais, má digestão, azia, pernas pesadas e o fato de se levantar várias vezes para ir ao banheiro, a gestante não pára de se mexer, e isto poderia explicar o fato de o recém-nascido ficar com o ritmo de sono invertido. Náuseas e vômitos são outros sintomas comumente passíveis de ocorrer no primeiro trimestre, quando ainda a mulher não tem a confirmação da gravidez ou simplesmente pelo fato de não ver-se grávida, uma vez que seu corpo não apresenta alterações visíveis.

Geralmente ocorrem pela manhã, ao despertar, e necessariamente também funcionam como uma clara evidência desta gravidez, ao mesmo tempo que são uma válvula de escape ante a ansiedade da dúvida.

Estudos realizados quanto à severidade desta ocorrência demonstraram que a presença destes sintomas de forma moderada, podem ser explicados como sendo originários das transformações biológicas que acomete a mulher.

Desta forma, quando da manifestação severa de náuseas e vômitos e que se constituem na hiperemese gravídica, os mesmos estudos revelaram profunda e forte influência da ambivalência materna com relação ao seu estado.

A hiperemese gravídica é um distúrbio que coloca em risco a gestação, pela freqüência contínua dos vômitos e náuseas, muitas vezes sendo necessária a hospitalização da gestante, seja pelo perigo de desidratação como pela possibilidade de aborto.

Assim, as mães que rejeitaram ou aceitaram claramente a gravidez, não foram as que manifestaram tais sintomas, porém, as que mais oscilaram entre aceitá-la e rejeitá-la. Como se através dos vômitos pudessem eliminar os sentimentos negativos de rejeição, ficando apenas com os positivos que se referem à aceitação, dissociando o bom e o mau dentro de si.

Se entendemos que a mulher encontra-se em estado regressivo, de intensa identificação com o seu bebê, podemos relacionar tais sintomas também como uma forma de expressão desta identificação, ou seja, até os três primeiros meses de vida extra-uterina, o bebê também apresenta vômitos e náuseas. A mulher estaria antecipando o que vivenciaria com ele.

Outra manifestação típica deste período é a presença dos desejos e das aversões. Houve um tempo em que estes sintomas eram muito mais intensos e freqüentes e que coincidiam com a incapacidade de encontrar o objeto dos desejos para satisfação da mulher, bem como a relação altamente dependente desta com seu parceiro.

Atualmente, com a disponibilidade dos alimentos congelados, mesmo fora de época, é possível encontrá-los em supermercados e casas do gênero e a mulher não se encontra mais na mesma relação de dependência, podendo ela mesma satisfazer seus desejos sem a participação do parceiro.

Refletindo sobre este aspecto, poder-se-ia deduzir que, através dos desejos incontroláveis, a mulher estaria expressando outra coisa, talvez chamar a atenção do pai do bebê, pressioná-lo inconscientemente, a se ocupar deste filho que estava sendo gerado. Seria uma forma, também, de o homem começar a exercitar seu papel de futuro pai, já que naquela época, muito mais que agora, a criação do filho era tida como função exclusivamente da mulher.

Hoje em dia, com todos os estudos elaborados, nossa cultura insistindo na importância da presença paterna desde o início da gravidez, com a conscientização do homem que o tornou mais participativo, podemos crer que os desejos incontroláveis começar a perder a razão de ser.

Mas os desejos também podem ser vistos como um primeiro discurso deste filho que está sendo gerado, ou seja, expressão de uma necessidade nutritiva. Assim, a mãe já estaria captando seus desejos e satisfazendo-os, numa relação de troca, de sintonia com as necessidades dele.

As crises de choro incontroláveis por que passam algumas gestantes, seguidas ou não de atitudes mais depressivas, são outros sintomas comuns à gravidez e que independe do o fato de ter sido desejada ou não.

Muitas mulheres se chocam ante tais sensações, pois não condizem com a felicidade de estar esperando um filho. Desta forma, qualquer coisa pode levar a mulher às lágrimas, sem compreensão aparente. Poder-se-ia dizer que tais manifestações têm relação com a hipersensibilidade materna, porém não bastaria.

Novamente podemos relacionar tais sintomas com o estado regressivo em que se situa a gestante e que encontra eco com a primeira expressão do recém-nascido: o choro.

Poder-se-ia, também, relacioná-lo com uma maneira inconsciente de fazer lugar ao filho. Como se a mulher precisasse, através das lágrimas, elaborar a perda do próprio lugar de filha para assumir seu novo papel de futura mãe. Uma necessidade inconsciente de deprimir-se, fragilizar-se, para permitir que o filho adquira forças para ocupar seu próprio lugar.

As oscilações de humor seriam compreendidas, então, como o próprio esforço da gestante em se adaptar a uma nova realidade de vida e que acarreta novas responsabilidades, funções e aprendizagens.

Assim também, a presença de maior apetite e que, conseqüentemente, leva ao aumento exagerado de peso da gestante. Pode-se pensar que é devido à ansiedade frente à nova situação ou mesmo pela ansiedade da dúvida de uma gravidez ainda não confirmada ou até mesmo pela necessidade de fazer um lugar na sociedade, já que seu corpo ainda não está visivelmente grávido.

Muitas vezes o ambiente social imediato, aqui incluindo o futuro papai, não compreende e critica a gestante por sua instabilidade emocional, por não se cuidar ou pela indisposição em executar as tarefas do cotidiano, o que reforça a culpa da mulher.

Tais reações fazem-na sentir-se mais só e abandonada, desprovida do apoio e atenção que tanto necessita e a faz sofrer intensamente.

Mas o homem também se encontra fragilizado, desestabilizado, tentando transpor suas próprias dificuldades e angústias, com grande esforço. Assim, as reações do ambiente nem sempre são as esperadas pela gestante, decepcionando-a sobretudo.

Concluindo, poderíamos compreender que, pelo fato de a mulher inconscientemente se perceber remetida à sua própria origem, numa identificação maciça com o bebê que espera, repete sua própria história na gravidez, antecipando a história do bebê.

Assim, os sintomas iniciais do primeiro trimestre da gravidez seriam uma repetição antecipada do que a espera em relação ao recém-nascido, neste mesmo período de vivência extra-uterina.

Até o terceiro mês de gestação, o embrião encontra-se em estado fusional, numa dependência total com a mãe. Os sintomas, então, podem ser compreendidos como uma palavra em sofrimento tanto no que concerne à mulher como ao filho que espera. Poderiam ser explicados como uma reatualização do próprio início de vida da gestante, como se vivenciando novamente esta fase pudesse adquirir maior compreensão das necessidades do recém-nascido, podendo, desta forma, satisfazê-lo com maior chance de sucesso.

Vale ressaltar, mais uma vez, que os sintomas, por serem inconscientes, não devem ser interpretados igualmente a todas as gestantes, pois dependem do contexto em que foi gerado o bebê, da história de vida da mulher, do casal e do tipo de personalidade dela. Assim, cada sintoma terá um significado próprio para cada gestante e será diferente, também, na mesma mulher porém em outra gestação.



http://guiadobebe.uol.com.br/psicgestante/sintomas_da_gravidez.htm

terça-feira, 22 de junho de 2010